I Encontro Nacional de Pianistas Amadores

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O I Encontro Nacional de Pianistas Amadores (ENAPAM) aconteceu no período de 1 a 5 de novembro, em Teresópolis. Fruto do entusiasmo de Anna Pijnappel que, buscando maior espaço para os pianistas adultos amadores, criou a Rede Nacional de Pianistas Amadores (RENAPAM).

O evento contou com a participação de Érika Ribeiro, Leonardo Hilsdorf, Luiz Leite e Eduardo Monteiro, em uma série de masterclasses, palestras e recitais.

A ideia do encontro foi criar uma ligação maior entre os pianistas adultos amadores, objetivo atingido ao se colocar todos sob o mesmo teto, em uma casa com vários ambientes para estudo e troca de ideias. Durante as manhãs e tardes, Érika e Leonardo revezaram, dando masterclasses aos participantes e à noite aconteciam os recitais.

Na noite do dia 2, o duo formado por Luis Leite e Érika Ribeiro tocou obras de autoria do próprio Luis Leite, muitas de seu novo CD “Vento Sul”, e de compositores latino-americanos. A combinação inusitada de piano e violão mostrou-se muito acertada.Vale a pena conhecer o CD “Vento Sul”.

No dia 3, fomos brindados com um recital dos 3 pianistas profissionais presentes, Érika, Leonardo e Eduardo Monteiro, que interpretaram obras de Villa-Lobos, Beethoven e Chopin. Oportunidade única de ouvir três pianistas de altíssima qualidade em uma mesma apresentação.

A participação de Leonardo Hilsdorf no ENAPAM ocorreu no hiato entre apresentação dele com a OSB na Sala Cecilia Meireles, na volta desta aos palcos em 2017, e em duo com Christian Budu, na Sala São Paulo. Hoje em dia Hillsdorf se apresenta principalmente nos principais palcos europeus e é aluno da pianista Maria João Pires.

O recital do dia 4 foi reservado para apresentação dos participantes do evento, que aproveitando os ensinamentos de Érika e Leonardo, levaram as obras que estavam estudando a um novo patamar.

Nesse dia, tive a oportunidade de fazer meu primeiro recital solo de uma hora, o que me fez apreciar ainda mais o trabalho dos músicos profissionais. Ao final do recital, que dividi em metades de 30 minutos, estava exausto e muito satisfeito com o resultado.

As masterclasses permitiram aos pianistas participantes do evento proximidade com Érika e Leonardo, ambos jovens pianistas com muita qualidade técnica e experiência. A cada ensinamento que passavam, era nítido a evolução no tocar de cada aluno. Em três dias, foi possível aprender muito sobre interpretação e técnica. Detalhes, que ao se prestar atenção, deixavam de ser detalhes, ganhando nova vida. Muito importante também foi a paciência e empolgação de Leonardo e Érika.

E tudo em um ambiente descontraído e cooperativo, com constante troca de ideias entre os participantes e os professores.

Parabéns a Anna, pela determinação em levar adiante a ideia de realizar esse evento. Proporcionou uma experiência singular e marcante aos participantes. Merece todo o reconhecimento.

Agradecimento também à Érika Ribeiro, que colaborou muito com o formato do evento.

Evento imperdível para quem ama a música e o piano. Que venha o Segundo ENAPAM. Não percam!

José Saliby

Ponte Área Rio-SP, 21 de dezembro de 2017.

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Concerto de Encerramento da OSB em 2018

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A OSB encerrou sua temporada, domingo, dia 10 de dezembro de 2017, em um ótimo concerto com obras de Rossini, Elgar e Nepomuceno, na Sala Cecilia Meireles.

O ano começou conturbado para a OSB. Com poucos recursos, houve atraso de salários e consequente ausência da mesma no cenário musical carioca, no primeiro semestre do ano. No segundo semestre, a orquestra conseguiu se organizar e fez uma série de concertos na Sala Cecília Meireles.

A apresentação do dia 10 de dezembro, com Lee Mills na batuta, iniciou com a Abertura Guilherme Tell de Rossini. Obra de muitos contrastes e muito brilho. Contou com solo de David Chew ao Cello.  Fechando a primeira metade, a orquestra tocou Variações Enigma do inglês Elgar, obra que permite a orquestra mostrar muito de seu colorido e nuances.

Na parte final, ouvimos a Segunda Sinfonia de Alberto Nepomuceno, compositor brasileiro, que estudou na Europa. A peça mostra toda habilidade de Nepomuceno em utilizar os recursos da orquestra, deixando evidente as influências dos germânicos Brahms e Wagner, e por breves momentos, com pitadas de sua terra natal. De Brahms, Nepomuceno utiliza muito da estrutura, e de ambos utiliza muito das progressões harmônicas, com bastante liberdade cromática. Obra de compositor do alto romantismo.

A OSB e Mills, mostraram muita competência na execução das obras, com muito brilho, cuidado no fraseado e apresentando todo o colorido que as obras exigem. Ótima surpresa ver que o conjunto manteve ótima qualidade, mesmo após todos os percalços por quais passou.

O ano foi encerrado com chave de ouro pela OSB. Vamos torcer para que a administração da Orquestra consiga se manter organizada em 2018 e que os recursos continuem chegando para esse conjunto que tanto deu e dá para o cenário da música carioca e brasileira.

Para quem quiser participar mais ativamente da vida da OSB, a doação é uma ótima forma de fazê-lo. Basta entrar no site da OSB para saber como proceder.

José Saliby

Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 2017.

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A Flauta Mágica no Theatro Municipal de São Paulo

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O Theatro Municipal de São Paulo apresentou A Flauta Mágica de Mozart, no encerramento de sua temporada de óperas de 2017. Obra da maturidade do compositor austríaco, escrita do alto de seus 35 anos e estreada dois meses antes do seu falecimento.

Com direção musical de Roberto Minczuk e cênica de André Heller, a apresentação do dia 19/12 contou com regência de Gabriel Rhein-Schirato. A Orquestra utilizada por Mozart conta com cordas (violinos, violas, violoncelos, contrabaixos), pares de madeiras (flautas, oboés, clarinetas, fagotes), duas trompas, dois trompetes e 3 trombones. Este último instrumento utilizado poucas vezes por Mozart. No caso da Flauta Mágica, o trombone é utilizado nos momentos mais solenes ou tensos.

A montagem, uma co-produção com o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, se aproveitou do clima bem-humorado da obra, e fez referências à cultura popular brasileira, principalmente em cima do papel de Papagena, que inicialmente surgiu como a velha surda de A Praça É Nossa (programa humorístico de televisão), virando ao final uma cantora pop “periguete”, tão em voga nos dias de hoje.

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Orquestra e Coro do Municipal estiveram muito bem, conseguindo manter o brilho e clareza que Mozart sempre exige. O elenco de cantores também merece destaque, todos muito bem em seus papeis. Muito positivo o fato de que praticamente todo o elenco é de cantores nacionais, que conseguem entregar uma interpretação de alta qualidade. A direção cênica de Heller merece destaque, como sempre. Sua montagem nunca coloca o cenário a frente da música, e sim como aliado desta.

Parabéns ao corpo do Theatro Municipal de São Paulo pela ótima montagem em seus vários aspectos. Ótimo presente de Natal para o público paulistano. Que 2018 seja um ano de fartura e qualidade deste centro musical paulistano.

PS: O Theatro Municipal adotou uma estratégia interessante. Ele se compromete a fazer um bis no qual as pessoas podem filmar e fotografar. Dessa forma ele tenta evitar os flashes indesejáveis durante a apresentação.

José Saliby

Ponte aérea Rio-SP, 21 de Dezembro de 2017.

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I Encontro Nacional de Pianistas Amadores

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O I Encontro Nacional de Pianistas Amadores acontecerá de 1 à 5 de novembro de 2017 em Teresópolis. O evento é fruto do esforço de Anna Pijnappel, com o objetivo de reunir pianistas amadores adultos para troca de experiências e aprendizado.

O I Encontro contará com a presença de grandes nomes da música, tais como: Eduardo Monteiro, Erika Ribeiro, Luis Leite e Leonardo Hilsdorf, e oferecerá masterclasses, recitais e trocas de experiências no ambiente serrano de Teresópolis.

O evento promete ser uma imersão no piano. Não percam. Para maiores informações acesse o link aqui e curtam a página do Renapam (Rede Nacional de Pianistas Amadores).

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Concerto em homenagem a Sergio Roberto de Oliveira na UNIRIO

202671_4500473873834_1243350811_o-696x470Com produção de Ricardo Santoro e entrada gratuita, programa será inteiramente dedicado ao compositor e produtor falecido no último dia 19 de julho, com as participações de Duo Santoro, Trio Capitu, Trio Paineiras, Quarteto Radamés Gnattali, Quinteto Lorenzo Fernandes, Laura Rónai, Gabriela Geluda, Cristiano Alves, entre outros.

 O compositor e produtor carioca Sergio Roberto de Oliveira, falecido no último dia 19 de julho por complicações de um câncer no pâncreas diagnosticado há um ano e meio, ganhará uma homenagem à altura da importância da sua obra e de sua incansável dedicação ao meio erudito. Um belo concerto será realizado no próximo dia 5 de agosto, sábado, às 16h, na UNIRIO (Sala Villa-Lobos), reunindo amigos próximos e grandes admiradores que registraram suas composições ao longo de duas décadas dedicadas à composição erudita. A entrada será gratuita.

Subirão ao palco o Duo Santoro (“Aos Santos Oro”),o Trio Capitu (“Praça XV”), o Trio Paineiras (“Paineira”), o Quarteto Radamés Gnattali (“Quarteto Brasileiro nº1”), o Quinteto Lorenzo Fernandez (“Man andSociety”), a flautista Laura Rónai (“Fantasia”), o Quarteto ClariNet (“Pangea”), entre outros, além da performance da poeta Vanessa Rocha, que apresentará “Phoenix, um poema”, dedicado ao compositor. O recital se encerra com trechos da Ópera “Na Boca do Cão”, pela soprano Gabriela Geluda e pelos músicos Ricardo Santoro (violoncelo), Cristiano Alves (clarineta) e Léo Sousa (vibrafone).

Duas vezes indicado ao Grammy Latino (2011, na categoria“Melhor Composição Clássica Contemporânea”, e 2012, pelo CD “Prelúdio 21 –Quartetos de Cordas”, no qual atuou como produtor e compositor), Sergio Roberto de Oliveira vinha participando decisivamente no cenário musical brasileiro e internacional e continuou produzindo e compondo até o fim da vida. Sua ópera Na Boca do Cão, com interpretação da soprano e atriz Gabriela Geluda e direção de Bruce Gomlevsky, foi sua última obra escrita e seguiu em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil até o dia 30 de julho. Mesmo bastante debilitado, produziu os discos “Trio Paineiras interpreta Compositores de Hoje” – no qual participa com sua música “Paineira”  e que chega ao mercado neste mês de julho – e o CD de estreia do Harmonitango, com lançamento previsto para outubro.

Desde sua primeira indicação ao Grammy Latino, em 2011, Sergio Roberto de Oliveira se dedicou intensamente à difusão de sua obra e da música de concerto carioca. Produziu e lançou inúmeros títulos neste segmento, como os CDs do Quinteto Lorenzo Fernandez, Trio Capitu, os dois do Duo Santoro, Cristiano Alves, AyranNicodemo, Ricardo Tacuchian, The Biedermeiers, GNU, Orquestra Sinfônica Nacional, escrevendo obras para a maioria destes. Sua parceria com o compositor americano Mark Hagerty produziu dois CDs, “Iluminosidade” e “Pares”, este lançado em 2015 reunindo os violoncelistas do Duo Santoro e as pianistas Patrícia Bretas e Josiane Kevorkian.

Publicada nos EUA, Inglaterra e Alemanha, sua música já foi executada em 8 países, tendo sido convidado com frequência para palestras sobre sua obra no Brasil e no exterior. No campo da música para cinema, lançou em 2014 o curta “Ao Mar”, e compôs a trilha para os filmes “Alla Prima” e “A Dívida”, sendo indicado com o último no Festival Internacional de Cinema de Madri na categoria “Melhor Música para filme” e no International Filmmaker Festival of  World Cinema de Milão na categoria “Melhor Trilha Sonora”. Seu grupo de compositores, Prelúdio 21, é um dos mais ativos do mundo e tem tido destaque no cenário da música contemporânea brasileira, atuando há 17 temporadas ininterruptas. Oliveira era ainda membro do grupo de compositores Vox Novus, baseado em Nova York, e da Academia Latina de Artes e Ciência da Gravação.

SERVIÇO:

 05/08, sábado – Concerto em Homenagem a Sergio Roberto de Oliveira

Horário: 16h

Local: UNIRIO (Sala Villa-Lobos)

Endereço: Av. Pasteur, 436 – Urca

Entrada Gratuita

 PROGRAMA:

 FANTASIA – LAURA RÓNAI, flauta

 A PRIMA DO PEDRO – ANA LETÍCIA BARROS, vibrafone

 AOS SANTOS ORO – DUO SANTORO

                                     Paulo e Ricardo Santoro, violoncelos

 PRAÇA XV – TRIO CAPITU

                        Sofia Ceccato, flauta

                        Janaína Perroto, oboé

                        Débora Nascimento, fagote

 QUARTETO BRASILEIRO nº 1 – QUARTETO RADAMÉS GNATTALI

                                                         Carla Rincón, violino

                                                         Andréia Carizzi, violino

                                                         Marco Catto, viola

                                                         Hugo Pilger, violoncelo

 PANGEA – CLARINET

                    Cristiano Alves, Thiago Tavares, Tiago

                    Teixeira e Igor Carvalho, clarinetas

 PHOENIX, UM POEMA – VANESSA ROCHA, autora e performance

 BRASILEIRO – MIRIAM GROSMAN, piano

 PARES – RICARDO SANTORO, violoncelo

                PATRÍCIA BRETAS, piano

 PAINEIRA – TRIO PAINEIRAS

                      Batista Junior, clarineta

                      Marco Catto, viola

                      Marina Spoladore, piano

 MAN AND SOCIETY – QUINTETO LORENZO FERNANDEZ

                                         Rômulo José, flauta

                                         Juliana Bravim, oboé

                                         Cesar Bonan, clarineta

                                         Alessandro Jeremias, trompa

                                         Jeferson Souza, fagote

 NA BOCA DO CÃO – GABRIELA GELUDA, soprano

                                      CRISTIANO ALVES, clarineta

                                      RICARDO SANTORO, violoncelo

                                      LÉO SOUSA, vibrafone

Fábio Cezanne

 

Rio de Janeiro, 4 de agosto de 2017.

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Trio Paineiras interpreta compositores de hoje – Lançamento de CD

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Trio Paineiras lança seu primeiro CD, dia 25 de julho, terça às 19:00, na Sala Cecília Meireles, com obras de Rami Levin, Pauxy Gentil Nunes, Liduino Pitombeira, Marcos Lucas e Sergio Roberto de Oliveira, que assina a produção. Formado por Marina Spoladore (piano), Batista Junior (clarinete/clarone) e Marco Catto (violino/viola), trio lança luz às obras de compositores contemporâneos.

No universo da música de concerto, sobretudo da música contemporânea, dedicados compositores e intérpretes buscam, a cada dia, novos projetos para divulgar o seu trabalho e fomentar a crescente produção artística atual. Assim nasceu o Trio Paineiras, Formado por Marina Spoladore (piano), Batista Junior (clarinete/clarone) e Marco Catto (violino/viola), que lança, no próximo dia 25 de julho, terça, às 19h, seu CD de estreia, “Trio Paineiras interpreta Compositores de Hoje” (A CASA Discos), no Espaço Guiomar Novaes, Sala Cecília Meireles.  O CD reúne novas obras para formação mista: violino/viola, clarinete/clarone e piano.

No repertório, a obra “Asas”, escrita por Rami Levin em dois movimentos, abre o disco eexplora as chamadas de dois pássaros distintos, ambos comuns no brasil. O primeiro movimento, escrito em 2012, foi inspirado pelo som do Bem-te-vi. O segundo movimento, Sabiá, escrito em 2015 para o Trio Paineiras, é uma descrição musical de vários pássaros ao mesmo tempo, tendo o sabiá ficado como voz dominante cuja melodia toma várias formas.

Em seguida, desfilam peças de outros compositores expoentes do cenário erudito contemporâneo, todas, por coincidência, divididas em três movimentos cada. “Paineira (Barriguda)”, de Sergio Roberto de Oliveira, que também assina a produção do disco, fala sobre a árvore em seus diferentes aspectos. No primeiro movimento, evocando sua ancestralidade africana, a linha do clarone surge como uma “fala de preto-velho”. O apelido “barriguda”, refere-se ao nome que a árvore tem por apresentar no seu caule um bojo, onde armazena-se água. No segundo movimento, descreve-se a paina, tão leve e delicada. Por fim, no terceiro movimento, o compositor retrata a fase da maturidade da árvore, após 20 anos, quando perde seus espinhos e passa a hospedar passarinhos e seus ninhos. Paineira faz parte da série de obras de Oliveira sobre árvores, foi composta especialmente para esse CD e dedicada ao Trio Paineiras.

“Três Telas de W. M. Turner”, de Marcos Lucas, expressaa profunda admiração pela obra do pintor inglês William Turner (1775-1851), cujas telas sempre fascinaram o compositor pelo seu uso inovador das cores, texturas e a intensa luminosidade. O primeiro movimento “Ulisses DerridingPolifermo” é o mais gestual e, em sua livre representação do gigante mitológico que tenta afundar o barco de Ulisses, contrapõe densas texturas acordais a trechos mais colorísticos, evanescentes. O segundo movimento “RainSteamandSpeed – theGreat Western Railway” abre-se com uma nostálgica e brumosa elegia à Revolução Industrial, após a qual o compositor buscou transpor a representação Turneriana do movimento para o domínio sonoro. O movimento final “The FightingTemeraire” é – na interpretação pessoal da obra que retrata o velho navio de guerra sendo rebocado para ser desmontado – uma alusão ao artista que, em seus últimos anos de vida, rememora seu vigor do passado.

“Paineiras”, de Liduino Pitombeira, para violino, clarinete e piano, é dedicada ao Trio Paineiras. Os títulos dos movimentos foram extraídos do poema “A Paineira e o Poente”, de J.G. de Araújo Jorge (1914-1987), publicado no livro “Bazar de Ritmos”, 1a edição, 1935. O primeiro movimento, “Lembrança em Turbilhão” tem como material básico uma série de doze notas que se descortina gradualmente logo no início do movimento. O cromatismo e os gestos bruscos criam uma atmosfera misteriosa e ao mesmo tempo agitada. O segundo movimento, “Saudade ao redor”, lento e meditativo, é construído a partir de sonoridades quartais que se desenvolvem em uma estrutura palindrômica, denotando a ideia de circularidade. O último movimento, “Dispersos”, traz de volta a agitação do primeiro movimento, mas, dessa vez, contaminada com a saudade do segundo.

A obra “Tríptico”, de Pauxy Gentil Nunes,é um experimento sobre a relação entre forma e conteúdo. É composta por três peças quase gêmeas, onde elementos comuns são organizados de formas diferentes em cada uma delas, de modo a encontrar expressões distintas para o mesmo material. Os gestos são facilmente reconhecíveis (trilos, volatas, fórmulas de acompanhamento, glissandi, blocos). São organizados a partir da mesma estrutura de alturas, chamada de Carrossel, que é constituída de 12 conjuntos ligados por relações de condução melódica e não se alteram durante toda a obra, o que torna as três peças ainda mais conectadas.

 

Programa:

“Asas” – Rami Levin

“Paineira (Barriguda)” – Sergio Roberto de Oliveira

“Três Telas de W. M. Turner” – Marcos Lucas

“Paineiras” – Liduino Pitombeira

“Tríptico” – Pauxy Gentil Nunes

 

TRIO PAINEIRAS

Os músicos que formam o Trio Paineiras são atuantes no cenário da música de câmara e sinfônica do Rio de Janeiro, e desempenham importante atividade acadêmica na UFRJ e na UniRio. A versatilidade da formação para violino/viola e clarineta/clarone com o piano é o diferencial do conjunto. A proposta estética é o incentivo às novas obras de compositores brasileiros, e tê-las lado a lado com obras mais tradicionais.

Marina Spoladore

Pianista paranaense premiada em mais de trinta concursos nacionais, trilha um caminho sólido e reconhecido pela seara da música contemporânea. Atua nos principais eventos ligados à música brasileira de hoje, sempre muito elogiada pela crítica. Concluiu seu bacharelado na classe do renomado professor Luiz Senise e desde 2014 é professora assistente de piano e música de câmara da UNIRIO.

Integra o Abstrai Ensemble, grupo carioca especializado no repertório contemporâneo, o PianOrquestra, que explora as infinitas possibilidades do piano preparado e vem se apresentando com muito sucesso na Europa e nas Américas, além das parcerias com o violinista Daniel Guedes e a cantora Veruschka Mainhard.

Batista Jr

Natural de Aracaju-SE, Batista Jr. reside no Rio de Janeiro desde 1998 onde concluiu graduação em Música/Clarinete e mestrado em Música/Praticas Interpretativas, ambos pela UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Entre 2002 e 2012,  atuou como clarinetista e claronista da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, além de atuar como convidado em diversas orquestras no Rio de Janeiro e no Brasil.

Desenvolve atividades ligadas à música de câmara e música contemporânea, atualmente participando do Abstrai Ensemble – grupo dedicado a música contemporânea conjugando o uso de instrumentos tradicionais às novas tecnologias – e do Trio Paineiras. Em 2011 é aprovado em concurso público para UFRJ e desde então é professor de Música/Clarinete da Escola de Música/UFRJ.

Marco Catto

Formado pelo Instituto de Artes da UNESP, o paulista Marco Catto estudou na Franz Liszt Music Academy em Budapeste, onde foi bolsista da Fundação Vitae e atuou como solista da Sinfônica de Szolnok. Mudou-se para Chicago, onde concluiu seu mestrado com honras na classe do professor Ilya Kaler, pela DePaulUniversity. Nesse mesmo período foi integrante da Civic Orchestraof Chicago e AdvantChamberOrchestra.

Atualmente é spalla da Orquestra Sinfônica da UFRJ, é membro fundador da orquestra Johann Sebastian Rio, Trio UFRJ, Trio Paineiras e violista do Quarteto Radamés Gnattali.

 

Rio de Janeiro, 24 de julho de 2017

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Programação de Música de Concerto em maio de 2017 no Rio de Janeiro

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O Theatro Municipal apresenta a ópera Norma do compositor italiano Bellini. Exemplo expressivo do bel canto italiano, a obra terá três apresentações, dia 1, 4 e 6.  Coro e Orquestra do Municipal serão regidos por Roberto Tibiriça.

Também no Municipal, dia 7, será apresentado Tributo a Piazzolla. Com direção de Manoel Poladian, regência de Carlos Buono e os cantores Amelita Baltar (que foi casada com Piazzolla) e Alberto Bianco. Dia 19, a Orquestra Petrobras Sinfônica se apresenta com Eduardo Strausser na batuta, interpretando obras de Mozart e Bruckner. E no dia 21, o pianista Benjamin Grosvenor apresenta peças de Mozart, Beethoven, Schumann entre outros.

A Sala Cecilia Meireles tem mês de muita participação dos músicos cariocas. Dia 7, a Orquestra Sinfônica da Barra Mansa apresenta obras de Schumann e Gliere. Dia 14 é a vez da Orquestra Sinfônica da Cesgranrio apresentar obras de Mario Ferraro, Sibelius e Beethoven. Dia 16, a Orquestra de Solistas do Rio de Janeiro toca Tacuchian, Gnattali, Richard Strauss entre outros. E dia 20 a Orquestra Bachiana Brasileira apresenta repertório do século XX (Stravinsky, Schöenberg e Pärt). Além disso, dia 19, o Duo Santoro (violoncelos) lança o CD Paisagens Cariocas. E a casa fecha o mês com duas apresentações de obras de Beethoven, dias 26 e 27.

O Espaço BNDES dedica este mês para a música de câmara. Primeiro, dia 3, com o Trio Aquarius interpretando obras de Villa-Lobos, Francisco Braga e Edino Krieger. Dia 10 é a vez do Quarteto Atlântico interpretar obras de Carlos Gomes, Villa-Lobos, Claudio Santoro e Camilo Bronstein. Dia 17 o Trio Arqué apresenta obras de Guerra-Peixe, Mignone e Tchaikovsky. Dia 24 o Quarteto Françaix interpreta Villa-Lobos, Piazzolla, Jeam Françaix entre outros. E fechando o mês, o Quarteto Concertante apresenta obras de Gnattali e Claude Bolling.

A Escola de Música da UFRJ, tem mês com apresentação de vários nomes da casa. São recitais de piano, voz, trompa, violino. Além disso, a Orquestra Sinfônica da UFRJ se apresenta dia 22 e a Orquestra de Sopros da UFRJ no dia 29.

A Cidade das Artes apresenta dia 13 a orquestra Johann Sebastian Rio, junto com o violinista Domenico Nordio, interpretando as Quatro Estações Portenhas de Piazzolla.

A UFF apresenta, entre outras atrações, o filme Limite, de Mario Peixoto, em exibição com a Orquestra Sinfônica Nacional da UFF tocando a trilha sonora ao vivo, dia 12, 13 e 14.

Até a presente data a Série Música no Museu não divulgou sua programação.

Para a programação completa, acesse a página de Notas Concertantes aqui.

José Saliby

Rio de Janeiro, 4 de maio de 2017

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