Filarmônica de Viena na Sala São Paulo

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17 de março de 2016

Dias 8 e 9 de março a Orquestra Filarmônica de Viena se apresentou em São Paulo sob regência de Valery Gergiev. A última visita havia sido em 1999. Considerada uma das melhores orquestras do mundo, junto com a Filarmônica de Berlim e a Royal Concertgebouw de Amsterdam, foi fundada em 1842 por Otto Nicolai e conta com um modelo de gestão no qual os músicos são responsáveis por todos os aspectos da orquestra, sejam eles financeiros, operacionais ou musicais.

A Filarmônica de Viena já teve como regente nomes de peso tais como Hans Richter (primeiro a reger o ciclo O Anel de Wagner), Gustav Mahler, Furtwangler, Toscanini, Karajan, Karl Böhm, Zubin Mehta, Bernstein, Abbado, Rattle entre tantos outros. Foi responsável por estreias de Brahms, Tchaikovsky, Bruckner, Mahler, Richard Strauss entre outros.

O russo Valery Gergiev, nascido em 1953, é regente e diretor artístico do Teatro Mariinsky, tradicional casa de Ópera, Balé e Concertos russa. Foi regente da Orquestra Sinfônica de Londres de 2007 até 2015 e conduziu várias óperas no Metropolitan Opera House. Com o Mariinsky, Gergiev inicia hoje, 17 de março, mais um ciclo O Anel de Wagner.

Orquestra e maestro, continuando um relacionamento antigo, fizeram um tour pelas Américas, passando por Estados Unidos, Colômbia e chegando a São Paulo, aonde fizeram dois concertos, um no dia 8 e outro no dia 9 de março.

O concerto do dia 8, na Sala São Paulo, foi iniciado com a abertura da ópera O Navio Fantasma de Wagner. Peça de muito colorido e tensão, com o compositor mostrando através da música as intempéries enfrentadas pelo navio do título em suas viagens pelo mar. Na sequência, foi apresentado La Mer de Debussy. São três esboços sinfônicos, como o compositor os chamou, que evocam sentimentos e lembranças do mar, de modo sutil e sugestivo. Obra prima do mestre francês em sua vertente impressionista, que influenciou toda uma geração, por conta de seu uso inovador da orquestra, tessituras e harmonia. Primeira metade do concerto dedicado ao Mar.

Após o intervalo, a orquestra tocou Quadros de uma Exposição de Mussorgsky, com orquestração de Ravel. Originalmente a peça foi composta para piano, em 1874, com uma sonoridade que às vezes transcende o instrumento. Vários músicos perceberam as qualidades do material musical e o transpuseram para orquestra. Primeiro com o russo Tushmalov, menos de 20 anos após a composição da peça. Outros nomes a orquestra-la foram Henry Wood, Leo Funtek, Leopold Stokowski. Até o grupo de rock progressivo, Emerson, Lake and Palmer, fez um arranjo. Mas a orquestração que sobrevive é a de Ravel. Grande mestre nesta arte, como bem podemos ouvir em seu Bolero, talvez a maior aula prática de orquestração.

A peça de Mussorgsky é uma suíte em dez movimentos em homenagem ao pintor Viktor Hartmann, conhecido do compositor e que morreu com apenas 39 anos. A ideia de Mussorgsky foi passar a impressão que ele teve ao passear por uma exposição de quadros de Viktor. Quadros de Uma Exposição, ao lado da ópera Boris Godunov e o poema tonal Noite no Monte Calvo, é a obra mais famosa do compositor russo.

O desempenho da Orquestra Filarmônica de Viena, sob regência de Gergiev, foi excelente. Orquestra muito bem equilibrada, tecnicamente perfeita, conseguindo mostrar todas as nuances de peças que exigem muito do conjunto, desde grandes sutilezas e coloridos até tuttis entusiasmados. Ótima oportunidade de se ouvir ao vivo uma das melhores orquestras do mundo.

Também foi importante perceber que o Brasil possui orquestras com qualidade para tocar em qualquer sala do mundo. Orquestras como a Sinfônica Estadual de São Paulo (OSESP) e a Sinfônica Brasileira (OSB), estão em um excelente patamar. Resta torcer pela continuidade destes excelentes trabalhos e aproveitar a recém iniciada temporada de 2016.

Temporada de 2016 começando com um de seus pontos altos. Que venham outras boas surpresas.

Para acompanhar essas e outras apresentações, assine a agenda de eventos da página Notas Concertantes clicando aqui.

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