Orchestre D’Auvergne na Sala Cecília Meireles

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Dias 1, 4 e 5 de abril a Orchestre D’Auvergne se apresentou na Sala Cecília Meireles sob regência de seu diretor artístico, Roberto Forés Veses. A orquestra de cordas francesa foi criada em 1981, tendo em sua formação 21 instrumentistas, entre violinos, violas, violoncelos e contrabaixos. Grande parte dos músicos toca no conjunto há mais de 15 anos, o que cria um grande entrosamento e permite que passeiem por um repertório que vai desde o barroco até o contemporâneo. Veses é jovem regente espanhol, com passagem por diversas orquestras europeias.

Corroborando sua veia eclética, o conjunto fez o primeiro concerto, dia 1, passeando pelo barroco (Bach), contemporâneo (Ripper) e terminando no século XX (Berg). A apresentação contou com a presença do violista brasileiro, Gabriel Marin, tocando no concerto para viola e orquestra de Ripper.

No dia 4, o concerto começou no final do século XX, com Voyage de John Corigliano. Peça para orquestra de cordas de muita suavidade e contemplação.  Viajamos para o clássico com o belo Concerto para Piano e Orquestra No. 14 de Mozart. Compositor estava inspirado pelo movimento Sturm und Drang (tempestade e ímpeto), em seu jogo de extremos das emoções, indo da doçura e calmaria à explosão. No piano, o brasileiro Pablo Rossi, apesar de possuir ótima técnica, não esteve em um de seus dias mais concentrados.

A segunda metade foi inteiramente dedicada às cordas, primeiro com o Andantino do Quarteto opus 10 de Debussy (final do século XIX), peça de muito lirismo, que mostra ainda o compositor influenciado por Wagner. Seguindo, do espanhol Eduardo Toldrà (início do século XX), o público ouviu Vistas al Mar, obra de muito ímpeto e vigor. Fechando a noite, o Concerto em Ré Maior para Orquestra de Cordas de Stravinsky, umas últimas composições tonais do russo, que ainda se utiliza da ideia do concerto grosso, com o conjunto (ripieno) dialogando com um grupo de solistas (concertino). Para o bis, o primeiro movimento da Pequena Serenata Noturna de Mozart.

Dia 5, a apresentação começou com peças compostas nos últimos 40 anos. A primeira foi “Con Forza di Gravità” de Yair Klartag, estreada em início de 2014, seguida de “Inverted Mantra” de Jesper Nordin, saindo do forno. Ela foi estreada pela própria Orchestre D’Auvergne em novembro passado. Fechando a primeira metade, “Zipangu” de Claude Vivier, de 1980. Obras que exploram diferentes e singulares sonoridades da orquestra de cordas, com efeitos interessantes e inusitados, e criando ambientes nebulosos. Esse foi o momento em que se pode comprovar o entrosamento do grupo, que soou como um só instrumento, mesmo ante as dificuldades dessas peças.

Na segunda metade do concerto foi apresentado o Quinteto para Cordas n° 2, em Sol Maior, Opus 111 de Brahms. Composta em 1890, é peça de sua maturidade e de muita força. Em versão para orquestra de cordas, evidenciou seu caráter sinfônico. Perfeita conclusão da visita da Orchestre D’Auvergne no Rio de Janeiro, que mostrou todo seu ecletismo, abrangendo composições que vão de 1740 até 2015. Também foi possível perceber o entrosamento do grupo e seu toque diferenciado, muitas vezes com menos vibrato que o comumente ouvido. Roberto Forés Veses também mostrou suas qualidades ao conduzir o grupo com muita energia, transformando o ato de reger em uma dança. Cometeu alguns excessos, advindos de sua submersão nas obras, que resultaram em alguns suspiros exaltados durante a execução. Para o bis, novamente a Serenata Noturna de Mozart, agora com o quarto movimento.

Oportunidade de se conhecer um conjunto de cordas afiado, tocando peças de diversas estéticas musicais, e com uma bela sonoridade, ressaltada pela ótima acústica da Sala Cecília Meireles.

Jose Saliby

Rio de Janeiro, 6 de abril de 2016

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